quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Um Vasco x Flamengo diferente, sob a magia do rádio



Devido a arrogância e soberba de Rodolfo Landim ( presidente do Flamengo) e diretoria do clube, em acreditarem que, sozinho, é maior que Vasco, Botafogo e Fluminense, juntos, reforçando a tese de que estão em outro patamar. Dessa forma, contrato de transmissão com o grupo Globo (tv aberta, Sportv, Premiere) não foi firmado, assim, poderemos ter um clássico dos milhões diferente, para os mais jovens, talvez, o primeiro e único das suas vidas, ouvindo a magia e emoções de um clássico, exclusivamente, pelo rádio.

Plugado 24h

Parece estranho e sem pé nem cabeça, falar para um jovem, hoje, que ele terá que  só ouvir a narração do seu clube, sem ver as imagens, ao mesmo tempo, fato este simplesmente estranho e atípico para quem vive 24h ligados nas redes sociais (whatssap, Facebook, Instagram, Twitter, entre outros), diante de tanta tecnologia, onde, simultaneamente, veem, reveem, lances dos jogos que estão acompanhando, ao vivo (muitos assistem a vários jogos ao mesmo tempo).
Muitos desses jovens não  entendem, nem jamais vão entender a magia de ouvir um jogo exclusivamente pelo rádio.

Uma Viagem no Tempo

Fecho os olhos e imagino década de 70, mais precisamente 76, quando tive o privilégio de conhecer a magia, tradição, rivalidade, dribles, Maracanã com 120mil, 130mil, 140mil torcedores, festa, superação, garra. Tudo isso sendo simplesmente ouvido.
Era como se estivesse lendo um bom livro e se empolgando com os acontecimentos, silêncio, angústia, suspense, gritos, explosão, alívio, tudo isso sob a ótica da imaginação, usando apenas um sentido: a audição,  quem já leu Agatha Christie, Se Houver Amanha,  Capitães da Area, Vidas Secas, entre outras grandes obras e autores sabem do que estou falando.

Um tempo para cada

A rádio Globo tinha dois grandes narradores: Waldir Amaral e Jorge Curi, nos clássicos, casa um narrava um tempo, grande justiça feita a estes monstros do rádio.
Waldir Amaral, era mais cadenciado, "deixa comigo", narrava lentamente (mas mesmo assim com grandes emoções), informando os detalhes para que não perdéssemos nada, numa sutileza de fatos inigualável. Tinha alguns bordões que o marcaram: "Tem peixe na rede do..., "Choveu na horta do...",  "Vai cruzar no caldeirão do diabo", "É fumaça de gol", "indivíduo competente o ...", Tem bala na agulha", entre outros.
Já Jorge Curi, era elétrico, "Tempo e placar no maior do mundooooooo", tinha o grito de gol mais longo que já ouvira, era de uma velocidade de fatos e emoções gigantes. Engraçado que eles eram exclusivos do rádio, mesmo quando os jogos eram transmitidos pela tv.

Canal 100

Como não tínhamos com frequência jogos transmitidos ao vivo pela tv, chegávamos aos cinemas mais cedo, para vê o canal 100, que normalmente, passava uns "tapes" dos clássicos carioca, uns 2 a 3 minutinhos dos melhores momentos.
Era lindo demais vê aquele telão, casa cheia sempre (nem precisava ser final de campeonato, era qualquer jogo da tabela), num colorido surreal, quando os lances iam passando, nossa mente reportava no jogo, num detalhe da narração pelo rádio, a emoção era explosiva, o coração pulsava numa velocidade sem igual, materializando o que ouvimos há dias, meses, anos atrás,  so quem passou por isso, sabe o que estou dizendo.

Daqui a pouco

Hoje, ainda me  emociono com as narrações de Luiz Penido (rádio Globo) e José Carlos Araújo (rádio Tupi). Mas com as transmissões ao vivo pela tv, confesso que só ouço quando vou ao estádio.
Daqui a pouquinho, escolha seu narrador:

Luiz Penido, e seus bordões: "Barato bom é do Vascão, Mengão...", "Bota o pé na forma bicho", "Guardou", "Rala, rala, rala Fluzão, Fogão...", "Gigantão da Colina", "Mengão Queridão", "Nosso Tricolor", "Todo Glorioso", entre outros.
José Carlos Araújo, "O Garotinho", seguem bordões: "Voltei", "Golão, golão, golão", "Apontou, atirou, entrou", "Vai mais, vai mais Garotinho", entre outros.

Fim do rádio?

Quem imaginava que com o avanço tecnológico, redes sociais, Tv's por Assinaturas, Netflix, FM digitais, entre outros, seria o fim das rádios AM, errou feio, as rádios se modernizaram e se reinventaram, hoje, boa parte delas são digitais,  continuam encantando e fazendo sonhar muitos cidadãos apaixonados pelo futebol, músicas, fatos, entre outros.
Conversando com Juarez Soares, amigo e parceiro de trabalho, sentiu as mesmas emoções, nos programas de rádios:
"Gostava demais dos programas do Antonio Carlos, rádio Globo (hoje na Tupi). Só ia ajudar meu pai depois da vinheta: São 7h em ponto!!!!, gostava demais de acompanhar rádio Mundial, das 17h às 19h, onde passavam só músicas, as melhores do dia, em seguida mudava para rádio Globo para assistir aos programas  esportivos, desde os 09 anos até minha pré adolescência". Tantos Juarezes neste Brasilzão sem fim, Zés do Rádio, entre outras Pseudônimos, onde pessoas simples se encantavam e ainda se encantam com a magia do rádio.

Divirtam-se hoje, com as emoções nesta viagem, para os mais experientes, uma doce recordação, para os mais jovens, não se irritem, há males que vem pra bem, desfrutem desta calorosa emoção, "veja" com os ouvidos, imaginem cada lance, cada drible, cada defesa, é tudo muito encantador, mágico, viva mais um momento inesquecível da sua vida.

De: Wilde Batista Nunes

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